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A fotografia mostra uma família, uma mãe com os seus quatro filhos. Estão a caminhar por um caminho de costas para a câmara. O reagrupamento familiar das pessoas com direito a proteção subsidiária foi suspenso durante dois anos. A lei foi amplamente criticada.

Reagrupamento familiar suspenso - a lei é criticada, apesar da maioria no Bundestag

Na sexta-feira (27 de junho de 2020), o Bundestag decidiu, por clara maioria, suspender o reagrupamento familiar dos beneficiários de proteção subsidiária durante dois anos. A decisão afecta principalmente os refugiados da Síria e do Afeganistão que não têm o estatuto de refugiado na Alemanha, mas que, no entanto, recebem proteção contra perigos no seu país de origem.
Escrito por:
Revisto por especialistas:
Christin Schneider
Especialista em direito da imigração

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Desde então, o debate no Parlamento e em toda a Alemanha tem sido aceso. A lei não foi aprovada por todos.

O que é que a nova lei prevê?

A nova lei, introduzida pelo Ministro Federal do Interior Alexander Dobrindt (CSU), estipula que as pessoas com direito a proteção subsidiária só podem trazer para a Alemanha familiares próximos, tais como cônjuges ou filhos menores, em casos de dificuldades. Anteriormente, o reagrupamento familiar para este grupo já estava limitado a 1.000 vistos por mês em todo o país. Esta opção foi agora completamente abolida durante um período inicial de dois anos.

Atualmente, não se sabe se haverá excepções - por exemplo, para famílias cujos processos de visto para reagrupamento familiar já estejam em curso. Pelo menos, não existe qualquer exceção no texto legal.

Além disso, a lei reintroduziu expressamente a expressão "limitar a migração" como um objetivo do direito de residência - para além da anterior "gerir a migração".

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Como votaram os deputados?

Durante o debate de sexta-feira, os deputados estiveram longe de ser unânimes. No decurso de uma discussão acesa, a Presidente do Bundestag, Julia Klöckner (CDU/CSU), teve de chamar os deputados à ordem várias vezes e até admoestá-los.

No final, 444 deputados votaram a favor da lei e 135 contra. Não se registaram abstenções. 51 deputados não participaram no debate e na votação.

Que partidos apoiam a nova lei e porquê?

A CDU/CSU, o SPD e o AfD votaram a favor da suspensão do reagrupamento familiar.

O ministro do Interior , Alexander Dobrindt (CSU), defendeu a lei como um "passo necessário para controlar a migração e aliviar a carga das autoridades locais". O ministro sublinhou que, desta forma, também se elimina um "fator de atração" que, anteriormente, servia de trunfo aos traficantes de pessoas: "Só uma pessoa tem de vir para a Alemanha, depois as outras podem seguir-se - estamos a pôr fim a este modelo".

O SPD apoiou a lei - ainda que de forma hesitante. Natalie Pawlik, a comissária federal para a integração, explicou abertamente a dimensão do conflito interno no seu partido: "A família é um direito humano. E quem vive na Alemanha sem uma família terá dificuldade em integrar-se". No entanto, o compromisso com os acordos de coligação foi aceite, uma vez que a lei foi limitada a dois anos e incluiu uma disposição relativa a dificuldades.

Para além da aprovação, houve também críticas vindas das fileiras do AfD. Para o partido, a lei de asilo reforçada não vai suficientemente longe. Christian Wirth descreveu a lei como uma "gota no oceano" e apelou a uma mudança fundamental de rumo na política de asilo. O reagrupamento familiar não é um direito humano, mas uma oferta política, disse Wirth.

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Que partidos estão a criticar a nova lei?

Os Verdes e a Esquerda manifestaram uma oposição maciça. Marcel Emmerich (Verdes) classificou a lei como "impiedosa" e uma "aberração em termos de política de integração". Schahina Gambir criticou o procedimento acelerado utilizado para fazer passar a lei no Bundestag e o facto de não se ter tido em conta os pareceres de peritos. Trata-se de uma "acusação democrática".

A deputada de esquerda Clara Bünger falou de uma lei "contrária aos direitos humanos" e acusou o governo federal de agravar deliberadamente o sofrimento em vez de criar soluções. Na prática, o regulamento sobre as dificuldades é ineficaz, uma vez que se baseia em decisões de casos individuais e quase nunca entra em vigor.

Lei é aprovada em cidades e municípios

Fora da Berlim política, a lei foi aprovada, nomeadamente nos municípios. A Associação Alemã de Cidades e Municípios e vários ministérios do Interior dos Estados federados congratularam-se com a medida.

O fardo imposto às cidades pelos elevados níveis de imigração é enorme, com falta de habitação, creches e programas de integração. "É preciso fazer uma pausa", explica André Berghegger, diretor-geral da Associação Alemã de Cidades e Municípios. Só assim será possível estabilizar as estruturas municipais e prosseguir com êxito os actuais processos de integração.

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Críticas contundentes da Igreja e da sociedade civil

As igrejas, as ONGs e as organizações de refugiados criticaram-no fortemente. Christian Stäblein, bispo da Igreja Evangélica de Berlim-Brandenburgo, fala de uma violação dos valores cristãos:"Pais e filhos devem estar juntos. É um mandamento de caridade não separar os refugiados dos seus familiares durante anos a fio".

A organização de defesa dos direitos humanos Pro Asyl anunciou que irá intentar uma ação judicial contra esta lei. O porta-voz Tareq Alaows descreveu a decisão como uma"violação dos valores humanitários" e alertou para o facto de as mulheres e as crianças serem agora obrigadas a escolher rotas de fuga perigosas.

O Instituto Alemão dos Direitos do Homem também manifestou a sua preocupação, em especial devido às possíveis repercussões nos processos de concessão de vistos já em curso.

Conclusão: Quando é que a nova lei entra em vigor?

Apesar de todas as críticas, a lei que suspende o reagrupamento familiar para as pessoas com direito a proteção subsidiária foi aprovada na sexta-feira. A lei entrará em vigor assim que for publicada no Diário Oficial da União. A publicação está prevista para os próximos dias.

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