O que era considerado tabu há apenas alguns anos está agora a ser discutido em termos concretos. As propostas que ocuparam o centro das atenções em Copenhaga são as seguintes
- a criação de centros de regresso ("centros de regresso") fora da UE
- Deportações para países sem laços familiares ou pessoais
- Procedimento acelerado para os pedidos de asilo provenientes de países de origem seguros
- Alargamento da lista de países de origem seguros
- Restrição das opções legais para os pedidos rejeitados
- Reforço da proteção das fronteiras e da cooperação com países terceiros em matéria de regressos
Asilo: Regresso a países terceiros seguros
Um dos temas principais foi a chamada Diretiva do Retorno, que a Comissão Europeia apresentou em março. Esta diretiva estipula que os requerentes de asilo podem ser deportados para países com os quais não têm qualquer ligação pessoal, ou seja, não têm família, nem residência anterior.
O Ministro do Interior, Dobrindt, também quer eliminar completamente o chamado "elemento de ligação": "A proteção pela UE não significa necessariamente proteção na UE", explicou.
Em termos concretos, isto significa que qualquer pessoa que não possa regressar ao seu país de origem (por exemplo, o Afeganistão) será, no futuro, deportada para um país terceiro vizinho classificado como seguro (como o Paquistão) - mesmo sem contacto pessoal prévio.
Por conseguinte, também seria possível um regresso a um país terceiro seguro pelo qual a pessoa que procura proteção tenha passado a caminho da UE.
É semelhante ao modelo do Ruanda no Reino Unido. Neste modelo, os requerentes de asilo são deportados para o país africano e devem apresentar um pedido de asilo nesse país. Se forem bem sucedidos, são autorizados a permanecer no Ruanda.
Lista de países terceiros seguros - menos hipóteses de asilo
Ao mesmo tempo, a Comissão Europeia pretende alargar a lista de países terceiros seguros. Na Alemanha, também foi elaborado um projeto de lei correspondente. No futuro, o governo federal poderá classificar os países de origem como "seguros" sem a aprovação do Bundestag ou do Bundesrat.
Isto teria um impacto direto nas oportunidades de muitos requerentes de asilo: os procedimentos poderiam ser concluídos mais rapidamente e os pedidos de asilo poderiam ser rejeitados mais frequentemente.
Centros de regresso planeados fora da UE
Outro ponto fundamental são os chamados "centros de retorno", ou seja, centros de repatriamento fora da UE. Os requerentes de asilo rejeitados serão aí alojados até poderem ser deportados. É também possível que os refugiados sejam levados para esses centros enquanto o processo de asilo ainda está a decorrer.
Dobrindt descreveu o modelo como "absolutamente necessário". Tanto uma abordagem europeia comum como a cooperação entre os Estados-Membros são concebíveis.
A França, a Áustria, a Dinamarca, a Polónia e a República Checa também apoiam a proposta. Os centros devem ser geridos em coordenação com a Frontex e ser legalmente garantidos através de acordos com países terceiros.
Milhares de milhões para a proteção das fronteiras, pressão sobre os países terceiros
A UE quer disponibilizar muito mais dinheiro para aplicar a política de migração mais rigorosa: o projeto de orçamento prevê 34 mil milhões de euros para a migração, a proteção das fronteiras e a segurança interna - o triplo do orçamento anterior.
O financiamento da Frontex também deverá ser drasticamente aumentado. A Frontex é a Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira. Apoia os Estados-Membros da UE na gestão das suas fronteiras externas e no combate à criminalidade transfronteiriça.
O objetivo é coordenar melhor e mais rapidamente os regressos, prevenir a migração irregular e trocar dados de forma mais eficiente com países terceiros.
Migração: acordos com países terceiros
Para que os centros de regresso e as deportações para países terceiros sejam possíveis, são necessários acordos com os respectivos países fora da UE. O Comissário Europeu Magnus Brunner propõe que , no futuro, se associem as questões da migração às parcerias comerciais.
Isto significa: Quem quiser cooperar economicamente com a UE terá de estar preparado para, em contrapartida, ajudar nos repatriamentos ou nos procedimentos de asilo.
A aplicação continua a ser difícil - exemplo: Líbia
No entanto, um exemplo recente mostra como essa cooperação é difícil na realidade: De acordo com os meios de comunicação social - incluindo o FAZ - uma delegação da UE liderada pelo Comissário Brunner foi recentemente rejeitada na Líbia. O grupo pretendia negociar acordos de migração, mas foi declarado "indesejável" e teve de abandonar o país.
O repatriamento também continua a ser difícil na UE. De acordo com a Agência Europeia para o Asilo, cerca de metade dos pedidos de asilo são rejeitados, mas apenas uma em cada quatro pessoas que têm de abandonar a UE o faz.
Conclusão: os projectos são alvo de críticas
Os planos da UE estão a ser acompanhados de críticas crescentes: a Agência das Nações Unidas para os Refugiados e as organizações de defesa dos direitos humanos alertam para uma redução progressiva das normas de proteção dos requerentes de asilo.
O Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos, Volker Türk, criticou de forma particularmente dura as deportações para o Afeganistão e apelou ao seu fim imediato. A ideia de colocar os requerentes de asilo em condições semelhantes às da detenção em países terceiros também suscita preocupações, tanto do ponto de vista jurídico como humanitário.