Em breve será novamente possível aceder a cursos de integração voluntários
Segundo notícias divulgadas por vários meios de comunicação – entre os quais o Süddeutsche Zeitung –, o Governo federal pretende revogar parcialmente a suspensão das inscrições para os cursos de integração voluntários. Após semanas de negociações, representantes do SPD e do Ministério Federal do Interior terão chegado a um acordo.
Assim, a partir de 1 de junho de 2026, determinados grupos poderão voltar a frequentar cursos de integração de forma gratuita e voluntária. No entanto, o acesso já não estará aberto a todos, como acontecia anteriormente. Em vez disso, está previsto um sistema de quotas. Isto significa que o Estado só assumirá os custos para um número limitado de participantes voluntários.
Ainda não se sabe quantas vagas estarão disponíveis. O número dependerá dos recursos orçamentais disponíveis e será definido no âmbito das próximas negociações orçamentais.
O § 44 da Lei de Estrangeiros (AufenthG) define as condições sob as quais os estrangeiros na Alemanha têm direito a participar num curso de integração. Este curso visa a integração linguística e social e pode abrir caminho para uma integração bem-sucedida na sociedade alemã...
Contexto: Cursos de integração voluntários suspensos desde o início de 2026
Os cursos de integração estão entre as ofertas mais importantes para os migrantes na Alemanha. Consistem em cerca de 600 horas de aulas de alemão e 100 horas de curso de orientação. Neles são abordados, entre outros temas, a política, a história, os direitos e os deveres, bem como a vida na Alemanha.
Além das pessoas com direito legal, até agora também era possível a participação voluntária de pessoas sem direito garantido, desde que houvesse vagas disponíveis. Para tal, era necessária uma autorização do BAMF.
Estes cursos voluntários beneficiaram sobretudo os requerentes de asilo com processos em curso , pessoas com autorização de permanência temporária, refugiados da Ucrânia com autorização de permanência ao abrigo do artigo 24.º da Lei de Permanência (AufenthG), pessoas com títulos de permanência por motivos humanitários ao abrigo do artigo 25.º, n.º 5, da Lei de Permanência (AufenthG), cidadãos da UE, bem como cidadãos alemães com necessidades especiais de integração.
No entanto, desde o final de 2025, as admissões voluntárias foram fortemente restringidas. No início de fevereiro de 2026, o BAMF comunicou oficialmente que, «até nova ordem», não seriam concedidas novas admissões voluntárias.
O ministro federal do Interior , Alexander Dobrindt (CSU), justificou a medida com o forte aumento dos custos. Segundo dados do Governo federal, as despesas com cursos de integração passaram de menos de 500 milhões de euros em 2021 para cerca de 1,3 mil milhões de euros em 2025. De acordo com relatos da imprensa, o Governo federal pretende limitar as despesas, no futuro, a cerca de 600 milhões de euros por ano.
Estes grupos voltam a ter boas hipóteses de se qualificarem
No futuro, a possibilidade de participar voluntariamente num curso de integração não deverá depender apenas da disponibilidade de vagas. Em vez disso, o título de residência e as necessidades individuais de integração deverão ser tidos em conta.
Deve ser dada especial atenção aos refugiados da Ucrânia que beneficiam de proteção temporária nos termos do artigo 24.º da Lei de Residência (AufenthG). Também os cidadãos da UE e os seus familiares deverão voltar a ter melhores oportunidades de participação gratuita no futuro – sobretudo se já estiverem a trabalhar ou pretenderem regressar ao mercado de trabalho. A partir de junho de 2026, deverão voltar a estar disponíveis vagas para estes grupos.
Além disso, deve ser possível ter em conta casos individuais. Isto significa que, em determinadas condições, também podem ser atribuídas vagas a pessoas que não pertençam aos grupos prioritários. No entanto, não há qualquer garantia quanto a isso. A decisão fica ao critério das autoridades competentes.
Estes grupos têm menos oportunidades de frequentar cursos voluntários
A nova regra prevê condições significativamente piores para os requerentes de asilo com processos em curso e para as pessoas com autorização de permanência temporária. No futuro, estes não poderão, em princípio, participar em cursos de integração financiados pelo Estado.
No entanto, também neste caso deverão ser possíveis exceções. Se houver recursos orçamentais suficientes, poderão ser admitidas pessoas a título individual, no âmbito de uma decisão discricionária. Contudo, continuará a não existir um direito geral.
Os cursos de orientação inicial devem ser ampliados
Em vez dos cursos de integração habituais, pretende-se alargar os chamados cursos de orientação inicial para requerentes de asilo e pessoas com autorização de permanência temporária. De acordo com os planos atuais, isso deverá acontecer a partir de novembro de 2026.
Estes cursos são significativamente mais curtos do que os cursos de integração normais. Compreendem cerca de 300 unidades letivas, ou seja, menos de metade de um curso de integração regular.
Nesse curso, são transmitidos conhecimentos básicos de alemão, bem como informações fundamentais sobre a vida na Alemanha. Entre os temas abordados contam-se, por exemplo, o trabalho, a habitação, a saúde, a educação, os serviços públicos ou o quotidiano na Alemanha.
O Conselho Federal insta o Governo federal a revogar a suspensão dos cursos de integração voluntários. Esta medida afeta muitos migrantes que não têm direito legal a frequentar um curso – entre os quais requerentes de asilo, pessoas com autorização de permanência temporária e refugiados da Ucrânia. O que está por trás desta decisão?...
O Conselho Federal apelou ao regresso dos cursos voluntários
A nova regra surge poucos dias após uma decisão do Conselho Federal. A 8 de maio de 2026, os estados federados tinham solicitado ao Governo federal que revogasse a suspensão das inscrições para cursos de integração voluntários.
O Conselho Federal criticou o facto de a exclusão dos cursos voluntários de integração poder ter consequências negativas para a integração, a participação social e o mercado de trabalho. Um bom domínio da língua alemã é fundamental para encontrar trabalho, ser autossuficiente e integrar-se a longo prazo na Alemanha.
Além disso, os estados federados salientaram que os cursos de integração não são importantes apenas para as pessoas com direito de residência garantido. Também as pessoas que pretendem obter um direito de residência permanente devem poder aprender alemão numa fase precoce.
Conclusão: O que significa a nova regulamentação para as pessoas afetadas?
Quem tiver direito legal a frequentar um curso de integração pode continuar a fazê-lo. Isso inclui refugiados reconhecidos, beneficiários de proteção subsidiária e pessoas com autorizações de residência para efeitos de trabalho. Para estas pessoas, a nova regra não implica qualquer alteração.
Para os refugiados ucranianos com proteção temporária ao abrigo do artigo 24.º da Lei de Residência, as possibilidades de frequentar um curso de integração voluntário voltam a melhorar. Também os cidadãos da UE poderão, no futuro, voltar a ter mais facilidade em obter acesso gratuito a esses cursos.
A situação continua a ser mais difícil para os requerentes de asilo e as pessoas com autorização de permanência temporária. No futuro, não estão previstos cursos de integração regulares para estas pessoas. Em vez disso, os cursos de orientação inicial serão reforçados. A participação num curso de integração regular só será possível em casos pontuais.
Muitos pormenores da nova regulamentação ainda estão por definir. Será determinante a forma como o BAMF aplicar as novas regras, qual será a dimensão do contingente e quanto dinheiro o Estado federal irá disponibilizar nos próximos anos para cursos de integração voluntários.