Asilo na Alemanha: o que foi decidido?
Contexto: De acordo com a lei alemã de asilo, um país de origem é considerado seguro se não houver ameaça de perseguição política e os direitos humanos forem respeitados.
Com a nova lei, o governo federal alemão obtém, pela primeira vez, autorização para classificar os países de origem como «seguros» de forma independente. Até agora, era necessária uma lei específica para tal, que tinha de ser aprovada tanto pelo Bundestag como pelo Bundesrat. Este obstáculo deixa agora de existir para determinados domínios do direito de asilo.
A ideia central por trás da classificação: se uma pessoa vem de um país classificado como seguro, o legislador parte do princípio de que, em princípio, não existe risco de perseguição política nesse país.
Os pedidos de asilo provenientes desses países são, portanto, regularmente rejeitados pelo Serviço Federal de Migração e Refugiados (BAMF) como «manifestamente infundados». Os processos são tratados mais rapidamente, rejeitados com maior frequência e os requerentes rejeitados podem ser deportados mais facilmente.
Atualmente, a lista de países de origem seguros inclui todos os Estados-Membros da UE, bem como a Albânia, a Bósnia-Herzegovina, a Geórgia, o Gana, o Kosovo, a Macedónia do Norte, o Montenegro, a Moldávia, o Senegal e a Sérvia. O Governo federal já anunciou que irá alargar a lista em breve, incluindo, entre outros, a Argélia, a Índia, Marrocos e a Tunísia.
O governo deve verificar regularmente
A nova lei obriga também o Governo federal a apresentar regularmente relatórios sobre a situação. Neles devem ser avaliados os desenvolvimentos políticos, em matéria de direitos humanos e de segurança em todos os países classificados como seguros.
Nesses relatórios, o Governo federal deve também explicar se a classificação de um país continua a ser justificada ou se, devido a novos desenvolvimentos, deve ser alterada ou revogada.
Desta forma, os parlamentos devem poder compreender como o Governo Federal fundamenta as suas decisões. Com isso, pretende-se criar – pelo menos formalmente – uma possibilidade adicional de controlo.
A que procedimentos de asilo se aplica a nova regulamentação – e a que não se aplica?
A nova regulamentação aplica-se exclusivamente aos procedimentos baseados no direito da UE – concretamente, na proteção internacional nos termos da Diretiva Qualificação. Isso inclui todos os pedidos de asilo nos termos:
- Proteção aos refugiados de acordo com a Convenção de Genebra sobre Refugiados (§ 3 AsylG) e
- proteção subsidiária (§ 4 AsylG).
Por outro lado, o direito de asilo previsto no artigo 16.º-A da Lei Fundamental não é afetado. No entanto, uma vez que apenas uma parte muito pequena de todos os requerentes de asilo ainda obtém asilo ao abrigo do artigo 16.º-A da Lei Fundamental, a reforma tem grande importância para a maioria dos requerentes de asilo.
Por que razão os países de origem seguros devem ser determinados mais rapidamente?
Na opinião do governo formado pela CDU/CSU e pelo SPD, a reforma deve garantir que a Alemanha possa reagir mais rapidamente às mudanças nos movimentos de refugiados. Além disso, as autoridades devem ser aliviadas, uma vez que poderão processar mais rapidamente os pedidos de asilo provenientes de países de origem seguros.
O deputado da CDU Alexander Throm falou na sexta-feira sobre uma «mudança na política de migração» e enfatizou que a classificação enviava um sinal claro aos países de origem: pedidos de asilo sem risco fundamentado de perseguição teriam poucas hipóteses de sucesso na Alemanha.
Importante: o direito a uma análise individual continua a existir, apesar da nova lei. Isto significa que pessoas provenientes de países de origem seguros podem continuar a obter asilo na Alemanha se conseguirem provar de forma credível que estão pessoalmente sujeitas a perseguição ou a um perigo individual – por exemplo, devido à sua religião, convicções políticas ou um conflito armado no seu país de origem.
Crítica da oposição e de especialistas
No entanto, a nova lei também tem sido alvo de críticas significativas. Os Verdes e a fração de esquerda votaram unanimemente contra a lei na sexta-feira passada. Clara Bünger (esquerda) alertou que a nova lei poderia criar «procedimentos de asilo de segunda classe». Segundo Bünger, quando um país é considerado seguro, os pedidos de asilo são frequentemente analisados apenas formalmente e, na sua opinião, não são mais avaliados de forma suficientemente individualizada.
Os Verdes também expressaram sérias preocupações. A deputada Filiz Polat considerou a nova regulamentação «inconstitucional» e referiu-se a um parecer do constitucionalista Thorsten Kingreen. Nele se afirma que o Bundesrat deve ser obrigatoriamente envolvido na determinação dos países de origem seguros. A possibilidade de regulamentar agora esta questão por meio de um decreto-lei contorna o processo legislativo previsto na Constituição.
As críticas também vêm de organizações da sociedade civil. A Pro Asyl falou de «regulamentações muito problemáticas» e também criticou o facto de o governo federal poder, no futuro, determinar os países de origem sem um processo legislativo regular.
Impacto sobre os requerentes de asilo na Alemanha
Para as pessoas provenientes de países que, no futuro, forem classificados como seguros, a situação mudará significativamente. Embora os seus pedidos de asilo continuem a ser analisados individualmente, na prática, serão rejeitados com muito mais frequência. Isso facilitará também as deportações.
Ao mesmo tempo, há uma mudança importante para as pessoas afetadas que se encontram em prisão preventiva para deportação: no futuro, elas não terão mais direito a um advogado nomeado pelo Estado.
Em essência, a nova lei significa o seguinte para os requerentes de proteção provenientes de países de origem seguros:
- procedimentos de asilo mais rápidos,
- classificações mais frequentes como «manifestamente infundadas»,
- expulsões facilitadas,
- uma ação judicial não tem efeito suspensivo; a deportação pode ocorrer apesar da ação judicial, a menos que os afetados apresentem um pedido de urgência,
- não tem mais direito a um advogado de ofício durante a detenção para efeitos de deportação.
Conclusão: O que é que se segue?
Com a nova lei, o Bundestag deu mais um passo em direção a uma política de migração e asilo mais rigorosa. Embora a lei já tenha sido aprovada, ela só entrará em vigor após ser publicada no Diário Oficial Federal – um processo que, pela experiência, pode levar ainda algumas semanas.
O governo federal anunciou que utilizará em breve os novos poderes e classificará outros países como países de origem seguros, entre eles Índia, Argélia e Tunísia. No entanto, ainda não se sabe exatamente quando a primeira portaria será apresentada.
Uma coisa é certa: com o novo procedimento, em breve muito mais países poderão ser classificados como seguros – e, com isso, mais processos de asilo poderão ser acelerados ou rejeitados mais rapidamente.