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A imagem mostra vários aviões num aeroporto. A imagem simboliza as deportações da Alemanha e da União Europeia. A Alemanha e outros quatro Estados-Membros da UE concordaram com a criação de centros de regresso. Estes centros deverão estar localizados fora da Europa e afetarão pessoas que são obrigadas a sair do país, mas não podem regressar ao seu país de origem.

A Alemanha decide criar centros de deportação fora da Europa – O que está por trás disso?

A Alemanha e outros quatro países da UE (Países Baixos, Áustria, Dinamarca e Grécia) chegaram a um acordo sobre um plano comum para os chamados «centros de retorno». Trata-se de centros de deportação fora da União Europeia. Neles serão alojados os migrantes que, embora obrigados a sair do país, não podem ser repatriados para os seus países de origem. A decisão foi tomada ontem (05.03.2026) na reunião dos ministros do Interior da UE em Bruxelas. Neste artigo, explicamos o que isso significa e onde esses centros poderão ser criados.
Escrito por:
Revisto por especialistas:
Christin Schneider
Especialista em direito da imigração

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O objetivo da iniciativa é organizar melhor os repatriamentos da Europa no futuro e levar mais rapidamente as pessoas obrigadas a sair do país para os seus países de origem ou outros países dispostos a recebê-las.

O que são «centros de retorno» e quem é afetado?

Um «Return Hub» é um centro de regresso localizado fora da UE. Estes centros destinam-se a acolher pessoas cujos pedidos de asilo foram indeferidos com efeito legal e que têm de abandonar a UE, mas que não podem ser imediatamente repatriadas para o seu país de origem.

Isso pode ter várias razões: alguns países não aceitam de volta os seus cidadãos, não emitem passaportes ou existem outros obstáculos legais. A partir desses «centros de retorno», deve ser organizada a saída definitiva – seja para o país de origem ou para outro país que esteja disposto a acolher o migrante.

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Como se chegou a essa decisão?

Os cinco Estados-Membros da UE envolvidos já colaboram há algum tempo no chamado «Grupo de Trabalho para Soluções Inovadoras em Países Terceiros». Em janeiro de 2025, eles já haviam chegado a um acordo básico sobre o objetivo de criar centros de regresso. No Conselho de Ministros do Interior, em Bruxelas, os ministros do Interior aprovaram agora um roteiro concreto, o chamado «Roadmap», para a sua implementação.

O ministro federal do Interior, Alexander Dobrindt (CSU), declarou ao jornal Bild: «As repatriações devem ser efetivamente implementadas a partir da Europa. Com os «centros de retorno», devem ser criadas novas possibilidades e enviado um sinal claro para mais repatriações.»

O ministro do Interior austríaco, Gerhard Karner (ÖVP), acrescentou que, no futuro, os Estados também pretendem analisar a possibilidade de realizar alguns processos de asilo fora da UE.

Legalmente, isso será possível a partir de junho de 2026, assim que o novo Sistema Europeu Comum de Asilo (SECA) entrar em vigor. Na última sexta-feira (27 de fevereiro de 2026), a Alemanha aprovou duas importantes leis que incorporam as regras do SECA ao direito alemão.

Onde poderiam ser criados esses centros?

Até ao momento, ainda não foram divulgados locais concretos. De acordo com relatos da imprensa, entre as regiões possíveis estão o Norte de África – por exemplo, a Tunísia –, a região curda no Norte do Iraque e Uganda.

A Holanda já teve as primeiras conversas com Uganda. Agora, vão começar mais conversas com possíveis países parceiros. O conceito lembra o chamado modelo Ruanda, que o Reino Unido seguiu por um tempo. Nesse modelo, os requerentes de asilo recusados pelo Reino Unido seriam levados para o país africano.

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Qual é a base jurídica?

Os «centros de retorno» fazem parte do Sistema Europeu Comum de Asilo (SECA), que deverá entrar em vigor a partir de 12 de junho de 2026. O Parlamento alemão já aprovou o pacote.

De acordo com a legislação da UE, esses centros só podem ser criados em países que respeitem as normas internacionais de direitos humanos. Ou seja, países considerados seguros e onde é possível um processo de asilo justo. Além disso, o alojamento num centro deste tipo só é possível se já existir uma decisão de regresso com força de lei.

Que críticas existem?

As organizações de direitos humanos alertam para possíveis problemas humanitários. Elas temem que a externalização das repatriações para fora da UE transfira a responsabilidade pelas pessoas vulneráveis e torne mais difícil controlar o cumprimento das normas de direitos humanos.

A implementação jurídica também era considerada difícil ao abrigo da legislação anterior da UE: no passado, os tribunais impuseram repetidamente obstáculos jurídicos significativos a projetos semelhantes. Assim, as primeiras tentativas deste tipo na Itália e no Reino Unido fracassaram parcialmente nos tribunais.

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O que isso significa para a política migratória europeia?

A iniciativa conjunta dos cinco Estados-Membros da UE faz parte de um debate político mais amplo sobre medidas mais rigorosas na política de migração. O objetivo é aplicar as deportações de forma mais consistente e reduzir o número de pessoas que permanecem na UE de forma permanente, apesar da obrigação de sair do país.

Ainda não se sabe exatamente como os centros serão organizados e quais países parceiros se declararão dispostos a participar. As negociações ainda estão no início. No entanto, o mais recente acordo entre os cinco países da UE mostra o quanto essa estratégia é levada a sério.

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