O que o Conselho Federal exige exatamente?
Contexto: O Bundesrat é um órgão constitucional na Alemanha, no qual todos os 16 estados federais estão representados. Ele pode apresentar propostas e moções próprias ao Bundestag e participa da legislação.
A decisão atual sobre o direito de residência remonta a uma iniciativa do estado de Schleswig-Holstein. A ministra da Integração do estado, Aminata Touré (Aliança 90/Os Verdes), propôs conceder um direito de residência permanente a refugiados bem integrados que tenham emprego ou estejam a fazer uma formação profissional. O Conselho Federal apoia esta proposta por grande maioria.
Na opinião dos estados federais, o governo federal deve apresentar uma nova lei o mais rápido possível. A regulamentação prevista não deve ajudar apenas os afetados. Ela também daria às empresas mais segurança no planeamento, pois muitas delas empregam ou formam pessoas com autorização de permanência temporária e muitas vezes não sabem se elas poderão permanecer a longo prazo.
Quem poderia obter o direito de permanência?
O Conselho Federal propõe condições concretas. Isso poderia beneficiar principalmente as pessoas que atualmente têm uma autorização de permanência temporária.
As pessoas toleradas devem obter um direito de residência permanentese
- viver na Alemanha há pelo menos três anos,
- trabalhar há pelo menos um ano com contribuição para a segurança social ou estar a fazer uma formação profissional,
- ter uma identidade bem definida
- e não cometeram crimes.
O governo federal anunciou uma regulamentação semelhante no seu acordo de coligação. No entanto, a proposta do Conselho Federal vai além em alguns pontos.
Por exemplo, a CDU/CSU e o SPD previram no acordo de coligação um período mínimo de residência de quatro anos. O Bundesrat, por outro lado, propõe reduzir esse prazo para três anos.
Além disso, o Conselho Federal exige que a regulamentação seja válida até ao final de 2029. Até ao momento, o acordo de coligação prevê apenas um prazo até ao final de 2027. Um prazo mais longo deve garantir que também os refugiados recém-chegados atinjam o período mínimo de permanência e possam beneficiar da regulamentação.
Por que é necessária uma nova regulamentação?
No direito de residência já existem disposições para pessoas com autorização de permanência temporária que trabalham ou iniciam uma formação: a chamada autorização de permanência para formação e a autorização de permanência para emprego. Estas permitem que as pessoas com autorização de permanência temporária permaneçam temporariamente na Alemanha durante a sua formação ou emprego.
Na prática, porém, essas possibilidades raramente são utilizadas: segundo o Conselho Federal, atualmente apenas cerca de 2,3% das pessoas com autorização de permanência temporária se beneficiam delas.
Do ponto de vista dos Länder, isso demonstra que as regras existentes não são suficientes. Por isso, o Bundesrat exige soluções novas, mais simples e práticas, para que os refugiados possam obter mais facilmente um direito de residência de longa duração com trabalho ou formação.
E agora, o que acontece?
A decisão do Conselho Federal será agora encaminhada ao Governo Federal. A Ministra da Integração de Schleswig-Holstein, Aminata Touré, referiu-se a um «apelo claro» ao Governo Federal para que conceda o mais rapidamente possível o direito de permanência aos refugiados que estejam a trabalhar ou a frequentar cursos de formação profissional.
No entanto, é importante referir que a decisão do Conselho Federal não é juridicamente vinculativa. Isto significa que o Governo Federal não é obrigado a implementar a exigência ou a apresentar rapidamente uma lei.
No entanto, tais decisões aumentam a pressão política sobre o governo federal para que ele trate do assunto. Além disso, uma regulamentação semelhante já foi anunciada no acordo de coligação do governo federal.
Também dentro dos partidos governamentais há apoio ao direito de permanência para refugiados que trabalham. Vários políticos do SPD – entre eles a ministra federal do Trabalho, Bärbel Bas – manifestaram-se publicamente a favor dessa regulamentação.
Ainda não se sabe se e quando o Governo federal aceitará a exigência do Conselho Federal e alterará o direito de residência. Para um novo direito de permanência, é necessária uma lei que deve ser aprovada pelo Parlamento federal. A experiência mostra que esse processo pode demorar algum tempo.