Os objectivos mais importantes num relance - e o que significam em termos concretos
Na reunião realizada no Zugspitze, os Ministros do Interior da Alemanha, França, Dinamarca, Áustria, Polónia e República Checa chegaram a acordo sobre os pontos-chave de uma política europeia de asilo e migração mais rigorosa.
O Comissário Europeu Magnus Brunner também esteve presente. O anfitrião foi o Ministro Federal do Interior, Alexander Dobrindt (CSU), que anunciou a sua intenção de reduzir "visivelmente" a migração ilegal para a Europa
O que é que os ministros exigem?
Acelerar os procedimentos de asilo - evitar a migração secundária
A reforma do Sistema Europeu Comum de Asilo (SECA), acordada em 2024, deve ser implementada e desenvolvida mais rapidamente. O objetivo é garantir que os procedimentos de asilo sejam realizados de forma rápida e uniforme em todos os países da UE.
Uma exigência central é a chamada migração secundária. Os requerentes de asilo que já foram reconhecidos num país da UE não devem ser autorizados a continuar a sua viagem e a pedir asilo novamente noutro país da UE.
O conceito de país terceiro também está a ser revisto: Se for possível obter proteção num país terceiro seguro, os pedidos de asilo na UE deverão ser rejeitados mais rapidamente e as pessoas que procuram proteção deverão ser repatriadas para esse país.
Além disso, as opções legais, como o recurso contra uma rejeição, deverão ser reduzidas.
O que isto significa para as pessoas que procuram proteção:
- Os procedimentos de asilo poderiam ser concluídos mais rapidamente e os pedidos rejeitados mais rapidamente
- Os requerentes de asilo têm menos opções legais para interpor recurso
- Qualquer pessoa a quem já tenha sido concedido asilo num país da UE tem poucas hipóteses de prosseguir o processo noutro país
- Qualquer pessoa proveniente de um país terceiro seguro ou que aí possa permanecer deverá ter um acesso mais difícil ao sistema de asilo da UE no futuro
Alargar os repatriamentos - também para a Síria e o Afeganistão
Um objetivo particularmente controverso é a aplicação coerente dos repatriamentos. Os ministros propõem a criação dos chamados "centros de repatriamento" em países terceiros. Os requerentes de asilo rejeitados seriam alojados nestes centros e os regressos e as deportações seriam coordenados a nível central.
A exigência de permitir os repatriamentos para a Síria e o Afeganistão é particularmente controversa - desde que seja feita em conformidade com o direito internacional.
O que isto significa para os requerentes de asilo:
- As deportações poderão ser significativamente aceleradas e alargadas - incluindo para países onde a situação de segurança é tensa
- Para os requerentes de asilo rejeitados, aumenta o risco de serem levados mais rapidamente para os chamados centros de regresso fora da UE e de serem repatriados a partir daí
Reforçar a proteção das fronteiras externas da UE
O controlo das fronteiras externas da UE vai ser significativamente reforçado. Os planos incluem a introdução de um novo sistema digital de entrada e saída (EES). O sistema deverá registar todos os viajantes nas fronteiras da UE.
Além disso, serão destacados mais drones, veículos e patrulhas móveis para as fronteiras externas. Há também planos para registar digitalmente todos os migrantes nas bases de dados da UE, como o Eurodac, para permitir um melhor acompanhamento.
As atenções centram-se sobretudo nas fronteiras orientais da UE com a Bielorrússia e a Rússia, onde os controlos deverão ser significativamente reforçados.
O que isto significa para as pessoas que procuram proteção:
- A entrada na UE é controlada e documentada de forma mais rigorosa
- O registo completo já deve ter lugar na fronteira
- Os controlos móveis e os drones deverão impedir a passagem não autorizada das fronteiras
Reforço das parcerias com países terceiros
A fim de prevenir a migração irregular antes de esta chegar à Europa, a UE pretende trabalhar mais estreitamente com os países de origem e de trânsito. O objetivo é criar melhores perspectivas a nível local e gerir os movimentos migratórios numa fase precoce.
Os planeados são:
- Contribuir para a criação de sistemas locais de asilo
- Novas estruturas de acolhimento e de regresso dos requerentes de asilo
- Apoio à administração, à justiça e à aplicação da lei
- Destacamento de peritos europeus para regiões em crise
O que isto significa para os requerentes de asilo:
- Na melhor das hipóteses, os requerentes de asilo devem encontrar um sistema de asilo funcional no país vizinho do seu país de origem ou num país terceiro seguro
- Ao mesmo tempo, a melhoria das condições de vida e das perspectivas no país de origem deveria levar a que menos pessoas quisessem fugir ou migrar
Críticas à reunião dos ministros do Interior
Os principais países de acolhimento inicial, como a Itália, a Grécia e a Espanha, não foram convidados para a reunião no Zugspitze. Muitos refugiados chegam primeiro a esses países. Por isso, os críticos acusam os ministros do Interior de tomarem decisões à revelia dos países afectados.
No entanto, o anfitrião Dobrindt fala de um "marco na política europeia de migração". Nos próximos meses, é provável que haja mais debates a nível da UE sobre o financiamento, as bases jurídicas e a implementação.
Conclusão: Quando é que as medidas entram em vigor?
A reunião no Zugspitze envia um sinal claro: a UE deve tomar medidas mais coerentes contra a migração irregular no futuro. Procedimentos de asilo mais rápidos, mais regressos e controlos nas fronteiras, bem como a cooperação com países terceiros, são as alavancas fundamentais.
No entanto, a rapidez e a extensão com que estes planos serão efetivamente implementados não são atualmente claras e dependem da aprovação do Parlamento Europeu, dos outros Estados-Membros e dos países terceiros em causa.
Até à data, as decisões dos ministros do Interiornão passam de meras exigências enão de legislação comunitária aplicável.