Estudo analisou autoridades em toda a Alemanha
O estudo «Instituições e Racismo» (InRa) foi realizado pelo Instituto de Investigação Coesão Social e financiado pelo Ministério Federal do Interior com seis milhões de euros. Ao longo de três anos, cientistas investigaram autoridades em toda a Alemanha. Eles analisaram em que medida os preconceitos e o racismo estão presentes no trabalho diário.
Foram analisados:
- Autoridades de estrangeiros
- centro de emprego
- Polícia e alfândega
- Departamentos de Justiça, Saúde, Juventude e Ordem Pública
- Instituições de assistência social
Além disso, foram inquiridos cerca de 13 000 funcionários de quatro autoridades federais, nomeadamente do Serviço Federal de Migração e Refugiados (BAMF), da Polícia Federal, das Alfândegas e da Agência Federal de Emprego.
De acordo com os cientistas, trata-se do maior estudo já realizado sobre racismo e discriminação nas autoridades alemãs.
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Estudo: a discriminação não se manifesta abertamente, mas sim no dia a dia
O estudo mostra que a discriminação nas autoridades raramente ocorre através de insultos abertos ou ataques claros. Na maioria das vezes, ela ocorre no dia a dia e não é imediatamente reconhecível. No entanto, pode ter consequências significativas para as pessoas afetadas.
A discriminação e a desigualdade manifestaram-se da seguinte forma:
- na forma como os pedidos são processados
- na quantidade de apoio que os requerentes recebem para preencher formulários complexos
- na interpretação diferente das normas e dos margens de discricionariedade das autoridades
- na transparência e rastreabilidade das decisões
- num tom parcialmente rejeitante ou distante
De acordo com o estudo, o problema tornou-se particularmente evidente no caso das barreiras linguísticas. Enquanto alguns requerentes receberam apoio ativo, outros receberam menos aconselhamento ou foram recusados devido à falta de conhecimentos de alemão.
O estudo conclui que, quando a ajuda depende fortemente do apoio de funcionários individuais, isso pode levar a desigualdades no tratamento.
É precisamente na relação entre as autoridades e os migrantes que existe frequentemente uma disparidade de poder. Quem depende de uma autorização de residência, da renovação de um título de residência ou de prestações sociais está sujeito à decisão da autoridade. Se houver preconceitos, as consequências podem ser graves.
Estudo revela diferenças: muitas autoridades trabalham de forma justa
Mas também é importante ressaltar que o estudo não apresenta um quadro totalmente negativo. Nem todas as autoridades são afetadas da mesma forma.
De acordo com o estudo, muitos funcionários defendem expressamente a justiça, o Estado de direito e a igualdade de tratamento objetiva. Por isso, o racismo não deve ser atribuído de forma generalizada a determinadas autoridades ou funcionários.
Lacuna jurídica na proteção contra discriminação por parte das autoridades
Ao mesmo tempo, o estudo mostra que as pessoas afetadas pela discriminação por parte das autoridades não estão suficientemente protegidas legalmente.
A Lei Geral de Igualdade de Tratamento (AGG) protege as pessoas contra a discriminação no ambiente de trabalho ou em serviços privados. No entanto, até o momento, essa lei não se aplica às autoridades governamentais.
Isso significa que quem se sentir discriminado por uma autoridade pública não pode invocar diretamente a Lei Geral de Igualdade de Tratamento (AGG). Isso pode tornar mais difícil para as pessoas afetadas defenderem-se contra a desigualdade de tratamento.
Muitas vítimas não denunciam a discriminação
Os resultados de um inquérito complementar realizado entre muçulmanos são particularmente relevantes para os migrantes. Cerca de 80% dos participantes afirmaram ter sofrido discriminação racial em repartições públicas. Muitos citaram experiências concretas em centros de emprego, repartições sociais ou de estrangeiros.
De acordo com o estudo, as consequências são muitas vezes graves: as pessoas afetadas relatam insegurança, medo do fracasso e problemas psicológicos a longo prazo.
Apesar disso, poucos recorrem aos organismos antidiscriminação. A razão mais frequente: o receio de que uma queixa não tenha consequências ou possa piorar a sua própria situação.
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O que as pessoas afetadas já podem fazer hoje
Se tiver a impressão de ter sido prejudicado ou discriminado num processo ou decisão administrativa – por exemplo, pela autoridade de imigração, pelo centro de emprego ou pelo BAMF (Serviço Federal de Imigração e Refúgio) –, pode ser útil tomar as seguintes medidas:
Exigir transparência: tem o direito de saber em que base jurídica uma decisão foi tomada.
Solicite uma decisão por escrito: as declarações verbais não são juridicamente vinculativas. Com uma decisão por escrito, é possível compreender em que base jurídica a decisão foi tomada.
Verifique cuidadosamente os prazos e cumpra-os: especialmente no que diz respeito ao direito de residência, o incumprimento de um prazo pode ter consequências graves.
Solicitar a revisão de decisões discricionárias: mesmo nas decisões discricionárias, a autoridade está sujeita à lei e ao direito. Erros de apreciação podem ser revistos judicialmente.
Documente e guarde documentos importantes: anote datas, conteúdos de conversas e nomes de pessoas de contacto. Guarde cuidadosamente pedidos, decisões, e-mails e comprovativos. Uma documentação completa pode ser decisiva em processos de recurso ou ação judicial.
Recorra aos órgãos responsáveis por receber reclamações: dependendo do estado federal, existem órgãos antidiscriminação, ouvidorias e comissões de petições.
Obter aconselhamento jurídico: advogados especializados podem verificar se existe uma desigualdade de tratamento ilegal ou um erro de apreciação.
Recorrer a meios legais: É possível recorrer ou interpor uma ação judicial contra muitas decisões administrativas.
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Conclusão
O estudo deixa claro que a discriminação nas autoridades públicas não é um problema puramente individual de determinados funcionários, mas pode ter causas estruturais. Ao mesmo tempo, porém, também mostra que muitas autoridades e funcionários se empenham em promover a equidade e a transparência.
Para as pessoas afetadas, o mais importante é saber que não estão desprotegidas. Mesmo que existam lacunas na proteção, existem possibilidades legais para se defender contra decisões injustas.