Hesse exige requisitos mais rigorosos para a obtenção do passaporte alemão
De 3 a 5 de dezembro, os ministros do Interior dos estados federais e o ministro federal do Interior, Alexander Dobrindt (CSU), reunir-se-ão em Bremen para uma sessão da Conferência dos Ministros do Interior (IMK). Neste contexto, o ministro de Hesse, Roman Poseck (CDU), apresentou várias propostas que visam tornar a naturalização significativamente mais difícil.
No centro está a exigência de excluir os refugiados com proteção subsidiária da naturalização. Além disso, ele defende o aumento do nível de proficiência linguística necessário para a naturalização de B1 para B2 e o endurecimento do limite mínimo para crimes.
O que Roman Poseck exige em detalhe?
Sem naturalização para pessoas com proteção subsidiária
O ministro do Interior de Hesse justifica a proposta alegando que a proteção subsidiária «foi concebidadesde o início como uma solução temporária»e que se destina apenas a proteger contra perigos graves, como tortura ou pena de morte no país de origem. Na sua opinião, a naturalização não se coaduna com esta natureza da proteção.
Poseck refere-se especialmente aos sírios, que muitas vezes têm apenas um estatuto de proteção temporária na Alemanha. Após o fim da guerra civil, esse estatuto deve ser reavaliado, afirma Poseck. A longo prazo, também seria possível voltar a repatriar regularmente para a Síria as pessoas obrigadas a deixar o país.
Para evitar que a proteção subsidiária «perca o seu verdadeiro caráter», Poseck exige uma revisão e adaptação da lei de nacionalidade. Segundo Poseck, o objetivo deve ser excluir a naturalização no futuro, caso uma pessoa tenha proteção subsidiária.
Segundo o ministro do Interior, estas iniciativas têm como objetivo impedir que a proteção subsidiária se transforme gradualmente num direito de residência permanente.
Nível de língua mais elevado para a naturalização: de B1 para B2
Poseck exige ainda que, no futuro, a naturalização só seja possível com conhecimentos de alemão ao nível B2. Segundo Poseck, os requisitos atuais ao nível B1 não são suficientes para garantir o princípio de «naturalização apenas no final de um processo de integração bem-sucedido».
Ele considera particularmente críticas as exceções introduzidas em 2024, que permitem que determinados grupos sejam naturalizados apesar dos seus conhecimentos linguísticos limitados. Segundo Poseck, essas exceções devem ser totalmente eliminadas.
Requisitos mais rigorosos para garantir o sustento
O ministro do Interior de Hesse também pretende reforçar a integração económica. A garantia de subsistência independente – sem prestações sociais – deve continuar a ser um requisito obrigatório para a naturalização.
Mesmo em casos de extrema dificuldade, deve ser verificado com rigor ainda maior se os afetados conseguem garantir o seu próprio sustento e o dos seus familiares de forma duradoura sem prestações sociais.
Infrações penais: eliminação dos limites mínimos
Outra proposta diz respeito ao tratamento das condenações penais no processo de naturalização. Até agora, as penas leves – ou seja, multas até 90 dias ou penas de prisão até três meses com liberdade condicional – não têm impacto na naturalização.
O ministro do Interior de Hesse pretende eliminar completamente esses limites mínimos. «Quem foi condenado por um crime demonstrou que não respeita totalmente o ordenamento jurídico», argumenta Poseck. Na sua opinião, mesmo crimes leves poderiam, no futuro, levar à exclusão da naturalização.
Crítica à naturalização acelerada
O ministro do Interior critica também a chamada naturalização acelerada, introduzida pelo antigo governo de coligação, mas entretanto novamente abolida. A regulamentação permitia que pessoas particularmente bem integradas fossem naturalizadas após apenas três anos de residência legal na Alemanha.
Segundo Poseck, o antigo governo enviou sinais errados com a naturalização acelerada. Ele congratula-se com o facto de o novo governo federal ter revogado esta regulamentação.
Naturalização em 2025: quais são os requisitos?
Importante: atualmente, a iniciativa do ministro do Interior de Hesse consiste apenas em propostas que serão discutidas no âmbito da conferência. Para uma implementação efetiva, seriam necessárias alterações na lei da nacionalidade – e estas teriam de ser aprovadas tanto pelo Bundestag como pelo Bundesrat.
Independentemente das exigências de Poseck, não há atualmente planos a nível federal para tornar mais rigorosos os requisitos gerais para a naturalização. No acordo de coligação, a CDU/CSU e o SPD concordaram apenas em abolir a naturalização acelerada introduzida em 2024 para pessoas particularmente bem integradas. Esta alteração entrou em vigor no final de outubro de 2025.
Assim, voltam a aplicar-se uniformemente os requisitos regulares previstos no § 10 da Lei da Nacionalidade. Quem desejar naturalizar-se deve cumprir os seguintes requisitos:
- pelo menos cinco anos de residência legal e habitual na Alemanha
- um título de residência aprovado para naturalização
- identidade e nacionalidade esclarecidas
- subsistência garantida sem receber prestações sociais
- Conhecimentos de alemão no nível B1
- Conhecimentos sobre o ordenamento jurídico e social, bem como sobre as condições de vida na Alemanha (teste «Viver na Alemanha»)
- Compromisso com a ordem básica livre e democrática
- nenhuma infração penal grave (os limites para infrações menores até 90 dias continuam a ser aplicáveis)
Mesmo as pessoas com proteção subsidiária podem continuar a ser naturalizadas, desde que cumpram os requisitos. O seu título de residência (§ 25, n.º 2, frase 2, AufenthG) é considerado, ao contrário de uma tolerância ou autorização de residência, como residência legal e, portanto, é totalmente contabilizado para os cinco anos exigidos.
Importante: para os beneficiários de proteção subsidiária, o tempo do processo de asilo – ou seja, o tempo entre o pedido de asilo e a decisão do BAMF – também conta para o prazo de cinco anos para a naturalização.
Conclusão
As exigências de Hessen mostram como está intenso o debate atual sobre os requisitos para a obtenção do passaporte alemão. No entanto, trata-se ainda apenas de ideias discutidas na Conferência dos Ministros do Interior, sem consequências jurídicas imediatas.
As regras atuais de naturalização permanecem inalteradas, incluindo a possibilidade de pessoas com direito a proteção subsidiária solicitarem o passaporte alemão após cinco anos de residência legal. Não se sabe se a Hesse, com as suas exigências, irá desencadear um debate político mais amplo ou se serão feitas alterações concretas à legislação.