O contexto é a situação de segurança que continua a ser difícil para a minoria religiosa da região. Já no ano passado, o grupo parlamentar Bündnis90/Die Grünen apresentou uma moção semelhante no Bundestag. No entanto, esta não obteve maioria.
O partido Die Linke exige a suspensão das deportações e o direito de permanência para os yazidis
Na moção, o partido Die Linke exige várias medidas concretas do Governo federal.
Em primeiro lugar, o Governo federal deve interceder junto dos Länder para que seja suspensa a deportação de refugiados yazidis do Iraque e da Síria. Com isso, as deportações para esses países devem ser suspensas por enquanto.
Além disso, o partido defende a criação de um regime de direito de permanência para os yazidis, semelhante ao previsto no artigo 23.º, n.º 1, da Lei de Residência (AufenthG). Este regime permite que os estados federados concedam uma autorização de residência por motivos humanitários a determinados grupos de refugiados. O pré-requisito é a aprovação do Ministério Federal do Interior.
De acordo com a proposta da esquerda, os requisitos para a concessão da autorização de residência devem ser definidos de forma a que o maior número possível de pessoas afetadas possa beneficiar dela.
Concretamente, a proposta prevê:
- O direito de residência não deve depender do rendimento ou de uma atividade profissional.
- A medida deverá aplicar-se aos yazidis do Iraque e da Síria.
- No caso de possíveis motivos de exclusão – por exemplo, em caso de crimes –, deve continuar a ser possível tomar decisões caso a caso.
- Mesmo pessoas que fugiram para a Alemanha mais tarde podem ser consideradas, por exemplo, se foram sequestradas pelo Estado Islâmico.
Contexto: genocídio da população yazidi
A esquerda justifica a sua moção com os acontecimentos de 2014. Naquela época, a organização terrorista «Estado Islâmico» (EI) atacou a região de Sinjar, no norte do Iraque, onde vivem muitos yazidis. Isso resultou em crimes graves contra a população civil. Mais de 5.000 pessoas foram mortas – principalmente homens e rapazes. Cerca de 7.000 mulheres e raparigas foram sequestradas, escravizadas e vítimas de violência sexual.
Na sequência do genocídio, muitos yazidis fugiram para a Alemanha – entre 2015 e 2019, foram mais de 75 000 pessoas desta comunidade. Atualmente, estima-se que vivam entre 100 000 e 200 000 yazidis na República Federal da Alemanha – a maior diáspora yazidi fora do Iraque e da Síria.
As Nações Unidas classificaram esses atos como genocídio já em 2016. O Parlamento alemão também reconheceu oficialmente o genocídio contra as mulheres e os homens yazidis em janeiro de 2023 e exigiu, na época, que continuasse a ser concedida proteção às vítimas.
Até hoje, muitos sobreviventes continuam a viver em campos de refugiados na região autónoma do Curdistão. A situação de segurança na região continua a ser considerada instável, nomeadamente devido ao ressurgimento de células do Estado Islâmico, às milícias locais e aos conflitos persistentes.
Taxa de proteção diminuiu e deportações aumentaram
Na sua moção, a esquerda critica também o facto de a taxa de proteção para refugiados yazidis na Alemanha ter diminuído significativamente nos últimos anos. Enquanto em 2015 quase todos os requerentes de asilo yazidis do Iraque receberam proteção, em 2022 a taxa de proteção foi de apenas 48,6%.
Além disso, nos últimos anos, foram revistos ou revogados inúmeros estatutos de proteção. Ao mesmo tempo, o número de deportações para o Iraque aumentou significativamente: passou de 27 deportações em 2020 para 699 deportações em 2024.
Reivindicações pelo direito de permanência também por parte dos Verdes
Outros partidos políticos e organizações da sociedade civil também exigem uma solução de longo prazo para os refugiados yazidis na Alemanha. Organizações como a Pro Asyl e a Wadi e. V. defendem a suspensão das deportações em todo o país e uma regulamentação permanente do direito de permanência.
Também no Bundestag já foram apresentadas exigências semelhantes. Assim, o grupo parlamentar Bündnis 90/Die Grünen apresentou no ano passado uma moção que previa igualmente a suspensão das deportações e um direito de residência seguro para os yazidis.
Entre outras coisas, os Verdes exigiram uma autorização de residência de três anos para os yazidis que tenham entrado na Alemanha provenientes do Iraque até 31 de julho de 2025 – independentemente de terem entrado com visto ou de poderem garantir o seu sustento.
A regulamentação deveria ser válida em todo o território federal e vigorar inicialmente até 31 de julho de 2028. Depois disso, seria possível a transição para uma autorização de residência de longa duração. No entanto, a proposta não obteve maioria no Bundestag.
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E agora, o que acontece?
A proposta do grupo parlamentar da Esquerda está atualmente a ser debatida no Bundestag. Ainda não se sabe quando é que a proposta será votada.
Também é difícil avaliar se a proposta obterá maioria. É verdade que a Alemanha reconheceu oficialmente o genocídio dos yazidis. No entanto, isso não implica uma obrigação legal de conceder direito de permanência a todas as pessoas afetadas. Ao mesmo tempo, a atual política de migração e asilo do governo federal alemão aposta cada vez mais em regulamentações mais rigorosas e deportações em muitas áreas.
No entanto, uma coisa é certa: com a nova proposta, o debate sobre a proteção dos refugiados yazidis na Alemanha deverá voltar a ganhar importância.